A Poupança e o Consórcio

A Poupança e o Consórcio

Estudo do Banco Mundial divulgado em meados do ano passado, objeto de editorial da Folha de São Paulo, faz precisas e importantes comparações com outros países no que diz respeito ao diminuto índice de poupança dos brasileiros: 11% teriam reforçado suas reservas olhando o longo prazo, contra 71% dos adultos de países desenvolvidos. Estamos até abaixo da média dos emergentes – 16%.

Mas, o que pretendemos demonstrar aqui, é que o Sistema de Consórcios, por ter uma considerável importância na economia do país – 3,1% do PIB/2017 – pode dar uma contribuição fundamental na melhoria desse índice de poupança tão baixo, passando os seus números a integrar o percentual nacional de poupança.

O Consórcio é uma forma cooperativada de aquisição de bens e serviços que funciona no país há mais de 50 anos, com características peculiares que o tornam um mecanismo que produz, ao longo do tempo, poupança direcionada a aquisição planejada desses mesmos bens e contratação de serviços. Se o desejo do consumidor for o de ter o bem ou o serviço imediatamente, não é o consórcio a alternativa!

Atualmente, o segmento conta com mais de 7 milhões de consorciados ativos que, ao adquirirem uma cota de consórcio comprometem parcela de sua renda por todo o período de duração do grupo, de modo que esse valor não será destinado ao consumo. Consorciados já contemplados, mas que ainda não adquiriram os seus bens/serviços, geram, hoje, uma disponibilidade de mais de 32 bilhões de reais.

Isso é poupança!

E os consorciados que ainda não foram contemplados e estão pagando as suas cotas, representam um comprometimento de renda futura da ordem de 170 bilhões de reais. Com a continuidade do pagamento de suas parcelas durante o prazo de duração do plano, eles serão contemplados e receberão os seus bens e serviços ao longo do tempo.

Aí sim, gerarão consumo a partir dessa poupança.

O consórcio não quer e não pode ser concorrente de qualquer outro mecanismo de fornecimento de crédito ao consumo. É e quer continuar a ser:

  1. poupança direcionada a uma compra planejada de longo prazo;
  2. responsável pela formação ou ampliação de patrimônio;
  3. formador de investimento. Sim, investimento quando o bem adquirido gerará prosperidade e receitas para o seu proprietário como imóveis, caminhões, tratores, motos e até automóveis utilizados profissionalmente;
  4. garantia de renda futura como no caso de um bem imóvel. Temos hoje, por exemplo, consorciado que adquiriu cota de consórcio de imóvel, com prazo de 20 anos para o seu filho de 5 anos, objetivando proporcionar rendimentos para ele quando tiver 25 anos de idade. Isto é planejamento, isto é formação de poupança!

Em outro segmento muito importante – veículos leves – os pais podem programar a compra do carro para o seu filho, quando este completar 14 anos, mediante a aquisição de uma cota de consórcio de 48 meses! Pura poupança!

Outros exemplos poderiam enriquecer o entendimento de que o consórcio colabora, decisivamente, para a formação de poupança, mas talvez não tenha sido considerado até aqui como tal.

Paralelamente, todos os créditos concedidos aos consorciados após a contemplação, quando transformados em bens ou serviços, são verdadeiros propulsores das atividades econômicas desenvolvidas em cada segmento da cadeia produtiva, seja indústria, comércio ou serviços.

Trata-se de um mecanismo que, a custos adequados, além de estimular o hábito e a disciplina de poupar, é gerador de riquezas pessoais, familiares e empresariais.

Embora considerado uma criação genuinamente brasileira, acreditamos que o consórcio ainda não seja bem entendido pela população.

Está submetido, por lei, às regras de normatização e fiscalização do Banco Central desde 1991, tendo inclusive a sua própria lei a partir de 2008.

Por suas características é um importante instrumento de Cidadania Financeira –  um dos quatro pilares do BC+ do Banco Central do Brasil, apoiado integralmente pelo Sistema de Consórcios –  a encaminhar o consumidor para uma compra planejada, programada, sem qualquer estímulo à compra por impulso e, com todas essas qualidades, ajudar a que a poupança nacional se eleve, fazendo com que o nosso país deixe as últimas colocações nesse importante ranking.

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