Mas – afinal – o que é Storytelling?

Mas – afinal – o que é Storytelling?

A tradução, ao pé da letra, não ajuda tanto quanto parece, afinal storytelling é mais do que apenas “Contar histórias”!

– Storytelling é uma história contada com alguma intenção de convencer!

A questão habita justamente nessa intenção. Podemos dizer que não há algum discurso sem intencionalidade. Fala-se sempre para algo e por algum motivo. Falar de storytelling é, portanto, falar de intencionalidades, quase sempre veladas. Essa é uma discussão interessante a ser encarada. Storytelling e contar histórias são coisas diferentes, apesar da tradução literal?

A resposta é simples: são.

O uso da metodologia serve justamente para proporcionar a “entrega” de algo por meio de uma história. Uma venda, um ensinamento, o alinhamento de uma equipe, a promoção de algum valor. Por meio do uso do storytelling, a história é utilizada como uma estrada para que ocorra algum trânsito. A narrativa que segue uma abordagem de storytelling funcionaria como um “kinder ovo”, na qual sempre está inserido algo, uma mensagem persuasiva, a promoção de um valor, de um serviço ou produto, de um candidato, de uma religião, de alguma adesão a ser feita. No simples ato de “contar uma história”, a história pode ser pela história, como ocorre na Literatura clássica. A história, nesse caso, tem valor pela própria história, pela forma como é contada, pela estética proposta, pela fruição e pelo prazer da leitura que esta propõe. Machado de Assis, Rubem Braga, Drummond e outros autores que fazem parte do cânone literário não produzem, a rigor, storytelling, já que não desejam oferecer outra coisa senão a literatura pela literatura. É a história pelo prazer que ela pode possa proporcionar.

E no caso da História, aquela “oficial” com “H maiúscula”?  Essa é uma discussão fascinante. George Orwell dizia que “A história é escrita pelos vencedores”. Afinal, geralmente é versão destes  que tendem a permanecer nos livros de história. Portanto, é também possível perceber o relato histórico como uma interpretação dos fatos concebida e divulgada por alguém que tinha lá também suas razões para impor a sua versão daquela história. A história também é escrita para denotar algo e de forma parcial. Se enxergamos por estas lentes, poderíamos entender – polemicamente – que a História oficial também pode ser uma forma de storytelling. Nesse caso, poderíamos enxergar que, talvez, a única história “verdadeira” estaria na Literatura, isto é, na ficção. Como afirmou Ernest Hemingway , “Todos os bons livros se parecem: são mais reais do que se tivessem acontecido de verdade.” 

Essa é uma questão que talvez pertença muito mais à Filosofia do que a História: afinal onde está a “verdade”?!

– Poderíamos afirmar que existiria mais verdade em um livro de ficção, como um romance, como no “Por quem dobram os sinos” (1940), do escritor americano Ernest Hemingway , do que em um livro de história? Como assim? Há uma verdade em “Por quem dobram os sinos” e em outros livros de Literatura que são praticamente inquestionáveis, porque há uma verdade humana. Uma verdade sobre a alma e a prática dos homens e mulheres dos nossos tempos e de outros tempos. Já, livros de história podem trazer versões e interpretações de fatos à luz de alguma ideologia ou crença. Livros, por exemplo, escritos por alguém que deseje enaltecer o comunismo geralmente trazem uma visão reducionista e tendenciosa contra os EUA e o capitalismo. O contrário também ocorre corriqueiramente.

Alguém pode se perguntar, depois dessas concepções se valeria a pena acreditar nas informações que existem nos livros de história.

– Há uma técnica tão antiga quanto eficiente.  Para se ter uma ideia do que, realmente, se deu na história requer sempre cruzar informações e buscar outras fontes para formar uma opinião sobre algum relato. Na verdade, o ideal seria que agíssemos assim sobre tudo. Ainda mais nesse tempo de fake News.

Fake News, portanto, são modalidades de storytelling?

– Claro que são. São narrativas tendenciosas, destrutivas e intencionais. As Fake News são uma aplicação negativa de storytelling, uma corrupção da técnica, sem qualquer ética. As fake News estão para o storytelling o que o veneno está para o remédio. Portanto cabe a todos nós analisar com muito cuidado todas as narrativas que ingerimos diariamente. 

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